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Até que a morte nos separe ou até que nós nos percamos?
Posted by Ana
on
16:25
Em um intervalo de apenas uma semana assisti a dois filmes cuja temática é a tentativa de recuperação de um casamento quase falido. Um é "Um divã para dois", com Meryl Streep e Tommy Lee Jones, em cartaz nos cinemas e o outro é "Encontro de casais", que peguei pela metade no Universal Channel. Achei curioso...e isso ficou matutando na minha cabeça.
Uma das coisas que mais tive medo em relacionamentos foi de os dois se perderem. De a coisa toda cair na rotina, no comodismo, na conveniência. E uma das coisas que esses filmes trazem é bem isso - o quanto os casais se tornam quase que estranhos com o passar do tempo. De fato não deve ser fácil manter um casamento, mas eu fico intrigada com o quanto boa parte das pessoas simplesmente aturam seus casamentos ou então falam dessa instituição como algo pesado e até com desdém. E fico mais intrigada ainda quando me perguntam se eu já casei, eu respondo que não e me dizem "é a melhor coisa que você faz!". Oi?! Por que tanta...podemos chamar de que? Desilusão? E isso tem sido bem frequente.
Nos primórdios da história, sabemos, o casamento era uma mera transação comercial e política para que famílias perpetuassem seus reinos, terras e fortunas. As relações sociais se transformaram até que deram lugar ao casamento por livre escolha, por amor. Ora, se é uma escolha (ok, nem sempre ainda, mas vamos assumir que sim) não deveria ser um peso. Talvez uma boa reflexão seria: para que ou por que casar? Cada pessoa terá uma resposta, e talvez esteja nela a essência de se ficar junto com quem se escolheu.
A minha resposta, no dia de hoje (pode ser que daqui a algum tempo mude), é que eu vejo o casamento como um ato de companheirismo, de parceria, pela vontade de se cultivar a cada época de nossas vidas um novo amor, um novo aprendizado com aquela pessoa que admiramos e que desejamos ter sempre ao lado. Não é casar para constituir família somente. Não é casar para ter filhos. Muito menos é para se ter a sensação de segurança e estabilidade. É para se ter uma relação de crescimento mútuo, com cumplicidade, com os erros e dificuldades, com a incerteza, sim, com reconhecimento da individualidade de cada um. Porque se gosta daquela pessoa. Porque há coisas nela que se faz ter vontade de estar junto. Não porque completa (sempre achei que essa coisa de completar é porque está faltando um pedaço e aí vira dependência, não é bom), mas porque os dois inteiros se acrescentam. E com a deliciosa intimidade que os casais podem ter.
Mas...o que é que acontece no meio do caminho que as coisas vão ficando mornas até esfriarem? Não acho que a paixão sempre irá durar, longe disso, aliás. Nem o romantismo (acho uma pena, porque gosto dele, mas tenho que ser realista né?! Aprendi...). Nem mesmo a atração sexual. Mas talvez o que devesse permanecer fosse a compreensão de que aquela pessoa com quem nos casamos e nós próprios nos transformaremos ao longo do tempo. Talvez um pouco mais de disposição para tentar reconhecer diariamente o que nos fez querer aquela pessoa e alimentar isso. Talvez o dar espaço para a individualidade. Talvez o resgate constante da intimidade. Talvez mais diálogo (esse nunca pode faltar!). Talvez a admiração - particularmente acho isso essencial, mais até que o amor.
Não sei. São muitas variáveis. Talvez até haja casais que não deveriam ter se casado (e essa é uma das reflexões de "Um divã para dois"). E não acredito que isso possa ser chamado de erro. Acredito que era o que tinha que acontecer naquele momento, porque o reconhecimento do "não deveria" é uma perspectiva do agora, do repertório de experiências acumuladas e que não existiam naquele momento de decisão. Mas se é essa a sensação que se tem agora, que ao menos se dêem espaço para reconhecer isso e busquem, cada um, o quanto antes, a sua felicidade.
E há os casais que possam apenas estar passando por dias ruins e cabe aí uma boa dose de energia para colocarem-se um de frente ao outro, reconhecer o que se passa e resgatarem-se a si.
Porque é sim delicioso ter alguém com quem se possa compartilhar a vida e o amor. Não só amor homem-mulher, mas um conceito mais amplo e pleno de amor.
Uma das coisas que mais tive medo em relacionamentos foi de os dois se perderem. De a coisa toda cair na rotina, no comodismo, na conveniência. E uma das coisas que esses filmes trazem é bem isso - o quanto os casais se tornam quase que estranhos com o passar do tempo. De fato não deve ser fácil manter um casamento, mas eu fico intrigada com o quanto boa parte das pessoas simplesmente aturam seus casamentos ou então falam dessa instituição como algo pesado e até com desdém. E fico mais intrigada ainda quando me perguntam se eu já casei, eu respondo que não e me dizem "é a melhor coisa que você faz!". Oi?! Por que tanta...podemos chamar de que? Desilusão? E isso tem sido bem frequente.
Nos primórdios da história, sabemos, o casamento era uma mera transação comercial e política para que famílias perpetuassem seus reinos, terras e fortunas. As relações sociais se transformaram até que deram lugar ao casamento por livre escolha, por amor. Ora, se é uma escolha (ok, nem sempre ainda, mas vamos assumir que sim) não deveria ser um peso. Talvez uma boa reflexão seria: para que ou por que casar? Cada pessoa terá uma resposta, e talvez esteja nela a essência de se ficar junto com quem se escolheu.
A minha resposta, no dia de hoje (pode ser que daqui a algum tempo mude), é que eu vejo o casamento como um ato de companheirismo, de parceria, pela vontade de se cultivar a cada época de nossas vidas um novo amor, um novo aprendizado com aquela pessoa que admiramos e que desejamos ter sempre ao lado. Não é casar para constituir família somente. Não é casar para ter filhos. Muito menos é para se ter a sensação de segurança e estabilidade. É para se ter uma relação de crescimento mútuo, com cumplicidade, com os erros e dificuldades, com a incerteza, sim, com reconhecimento da individualidade de cada um. Porque se gosta daquela pessoa. Porque há coisas nela que se faz ter vontade de estar junto. Não porque completa (sempre achei que essa coisa de completar é porque está faltando um pedaço e aí vira dependência, não é bom), mas porque os dois inteiros se acrescentam. E com a deliciosa intimidade que os casais podem ter.
Mas...o que é que acontece no meio do caminho que as coisas vão ficando mornas até esfriarem? Não acho que a paixão sempre irá durar, longe disso, aliás. Nem o romantismo (acho uma pena, porque gosto dele, mas tenho que ser realista né?! Aprendi...). Nem mesmo a atração sexual. Mas talvez o que devesse permanecer fosse a compreensão de que aquela pessoa com quem nos casamos e nós próprios nos transformaremos ao longo do tempo. Talvez um pouco mais de disposição para tentar reconhecer diariamente o que nos fez querer aquela pessoa e alimentar isso. Talvez o dar espaço para a individualidade. Talvez o resgate constante da intimidade. Talvez mais diálogo (esse nunca pode faltar!). Talvez a admiração - particularmente acho isso essencial, mais até que o amor.
Não sei. São muitas variáveis. Talvez até haja casais que não deveriam ter se casado (e essa é uma das reflexões de "Um divã para dois"). E não acredito que isso possa ser chamado de erro. Acredito que era o que tinha que acontecer naquele momento, porque o reconhecimento do "não deveria" é uma perspectiva do agora, do repertório de experiências acumuladas e que não existiam naquele momento de decisão. Mas se é essa a sensação que se tem agora, que ao menos se dêem espaço para reconhecer isso e busquem, cada um, o quanto antes, a sua felicidade.
E há os casais que possam apenas estar passando por dias ruins e cabe aí uma boa dose de energia para colocarem-se um de frente ao outro, reconhecer o que se passa e resgatarem-se a si.
Porque é sim delicioso ter alguém com quem se possa compartilhar a vida e o amor. Não só amor homem-mulher, mas um conceito mais amplo e pleno de amor.
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