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"Por que metade de mim é o que penso. A outra metade é um vulcão". (Oswaldo Montenegro)

Posted by Ana on 20:12


Depois de um ano e alguns meses em um ritmo alucinado de trabalho e mais tantas coisas juntas acontecendo em outras esferas da vida que não só a profissional, faz-se uma pausa. Que não sei definir bem como, de que ou para que. Nem se boa ou se ruim. Estranha...e necessária.

Pausa de tudo. Alguns pontos finais a vida trouxe. Outros tive que colocar sem de fato querer - estes insistem em se multiplicar em reticências...

Pausa, até, de mim mesma.

Não se trata de diminuição de volume de coisas por fazer, nem de férias. Trata-se de um ponto de inflexão na forma de ver, pensar, sentir e viver a vida. Tudo o que vinha num fluxo acelerado e “certo” no sentido de estar em paz com as decisões, de repente vira de ponta cabeça e transforma-se num grande ponto de interrogação. O corpo pede calma, a cabeça não acompanha e o coração...ah...este grita!

Já não é a primeira vez. Compreendi que esse vai-e-vém das certezas é de alguma maneira natural, na medida em que nos transformamos diante de experiências vividas e coisas sentidas. Mas é muito desconfortável e leva um tempo para tudo se ajeitar outra vez.

O que me inquieta é o que está por trás desse desequilíbrio. Se tudo vem vindo tão firme e certo, a ponto de fazer sentir que finalmente entramos em contato com a nossa verdade, por que é que de repente perdemos essa conexão e tudo volta a ser uma tela preta?

Penso que isso é um exercício constante da vida para não deixarmos as coisas do mundo passarem por cima de nós, do que acreditamos e do que queremos fazer diferente. Para não deixar o medo tomar conta. Para nos fortalecer e caminharmos rumo ao que se deseja realizar.

Dói. Cansa. A racionalidade - minha, em particular, que não é pequena - na maioria das vezes me desvia desse caminho. Mas em todos os momentos em que, me perdoem o clichê, pude ouvir e seguir meu coração, eu fui mais feliz.

Hoje transito (muito) na metade de mim que pensa. A outra metade está em transformação.


"Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram".
Carlos Drummond de Andrade

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