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Sobre balanças e solitude

Posted by Ana on 23:05

Pois é, só que outro dia me peguei fazendo o oposto do post anterior. Não estava julgando, estava...não sei que palavra usar...palpitando na vida de uma amiga? Cuidando dela? Alertando? Dando minha opinião? Não sei...fato é que falava coisas querendo seu bem. Mas as coisas que eu dizia, embora na melhor das intenções, eram baseadas em crenças, valores e tolerâncias minhas.

Era um sábado de manhã. Após uma ótima noite de samba, eu, minha mãe e minha amiga conversávamos amenidades quando perguntei a ela sobre uma coisa específica de um momento de vida dela, que aqui preservo. Foi quando caímos no confuso e gostoso mundo dos relacionamentos.

Conforme dizia meus pontos, ela e minha mãe se admiravam. Talvez até se assustavam. E eu também me surpreendi. Porque naquele momento ficou muito claro para mim a questão de algo que só recentemente uma amiga querida me apresentou o nome e o conceito formal, embora já a sentisse: a solitude.

Não é solidão ou isolamento. Não é dizer não a relacionamentos amorosos ou a amigos ou a conhecer pessoas. Mas é estar inteiro, pleno, feliz e em paz só com você mesmo. É saber que você não vai estar o tempo todo com alguém e que não precisa disso para ser feliz. Nossa felicidade não está em outra pessoa, mas na plenitude de nós mesmos.

Naquela conversa eu dizia: “tem que valer muito à pena estar com alguém”. Não significa desistir a qualquer dificuldade, não tolerar defeitos e muito menos ser fofo e perfeito. Hoje eu sei que isso não existe. Mas precisa haver algo que agregue muito, justamente para que se suportem as dificuldades, para que se façam concessões, para que se busque um ponto de equilíbrio quando há divergências na forma de agir na vida e de pensá-la.

E esse “algo que agregue muito” depende da balança de cada um. O calibre dessa balança é muito particular, cada um ajusta o seu. Se eu tiver que abrir mão de algo que para mim é muito importante, mas há outros fatores que compensem esse ceder, ok. E esses fatores, nossa, são tantos: paixão, amor, dinheiro, admiração, caráter, sexo, carência, dependência, segurança, filhos, companheirismo...cada um tem o seu.

E eu lá, falando para minha amiga de acordo com minha balança...

Digo que tem que valer muito à pena porque (de acordo com minha balança, ok?!) liberdade, independência e paz de espírito são grandes riquezas que jamais podem ser roubadas ou perturbadas. Tem que ser sim aperfeiçoadas, incentivadas e – o mais gostoso – compartilhadas!!  Isso tudo não significa egoísmo ou relacionamento aberto. Significa maturidade. Significa reconhecer e respeitar o outro como um inteiro e os dois juntos tirarem o melhor proveito disso!

A minha balança está com o calibre bem rigoroso ultimamente, é verdade. Talvez porque seja só uma fase. Talvez porque eu não esteja deliciosamente desorientada por uma paixão. Cheguei perto...Ou talvez porque realmente tenha internalizado e cristalizado isso em mim.

Mas se eu mudar de ideia (ou se eu quebrar a cara), minha mãe e essa minha amiga serão as primeiras a saber! A vida sempre nos surpreende...  

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